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| Pelo Sangue |
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| Escrito por Washington Montez de Noronha |
| Qua, 18 de Março de 2009 14:33 |
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Ponta Grossa, 29 de março de 2002 As doutrinas não cristãs erram ao crer que basta aos seus fiéis buscar viver segundo alguns nobres padrões éticos de conduta, aliados a ritualismos religiosos para alcançar a realização espiritual. Não admitem essas doutrinas sujar-se com o sangue de Cristo. Acho mesmo que essa idéia lhes é repugnante. Muitas pessoas consideradas cultas e de boa posição social, se escandalizam e se sentem chocadas com a idéia do sacrifício de sangue de Cristo, que classificam de medieval. Entretanto, essas mesmas pessoas não se sentem tão chocadas com a violência cotidiana das ruas e muito menos com a repugnante violência silenciosa praticada contra os deserdados pela sociedade . Mas essa rejeição ocorre na verdade por não se perceber a natureza totalmente transcendente do sacrifício de Jesus e a natureza visceralmente carnal de nossos pecados. Quando se rejeita a idéia da purificação pelo sangue e pelo sacrifício, na verdade o que se rejeita é a própria natureza pecaminosa humana , herdada do primeiro homem, por toda a humanidade. Sei disso porquê já comunguei destas doutrinas espiritualistas, e julgava absurda a idéia de um Deus que ordenava a seu próprio filho sacrificar-se neste mundo de forma tão brutal, para que a humanidade pudesse ser redimida. Entretanto, Deus me mostrou um dia que hediondo era o estado de corrupção em que se achava minha natureza divina, estado esse comum a todos os homens e que ensejara a necessidade do sacrifício de sangue assumido por Jesus, por amor a mim. Essa natureza degenerada sim é verdadeiramente odiosa, vil, cruel e digna de repulsa. Mas ignora-la e encobri-la sob um manto de nobres intenções e pomposos rituais, sejam meramente formais ou de conteúdo mágico, não a destruirá. A única forma de eliminarmos definitivamente de nosso ser essa natureza corrupta é através de Jesus Cristo. Essa obra de redenção inicia-se com a conversão e o batismo cristãos, atos pelos quais somos justificados perante Deus, por nossa vida pregressa de erros e transgressões e nos propomos viver uma nova vida, totalmente dependente agora da vontade Deus e de sua Lei. Recebemos assim de Deus assim, se entregamos sinceramente nossas vidas em suas mãos, a condição de filhos adotivos e buscamos então, com todo nosso ser, conhecer o nosso Pai celestial, e aprendemos assim a amá-lo e obedece-lo, buscando também amar o nosso semelhante com a nós mesmos. Apesar de havermos, por essa conversão, e pelo arrependimento sincero, obtido o perdão de Deus por nosso erros, de reconhecermos haver sido lavada a nossa alma pelo sangue de Cristo na cruz, continuamos carregando ainda a nossa natureza pecaminosa. O sangue de Jesus nos purificou de nossa carga ancestral de pecados, mas não destruiu o nosso corpo de pecado. Cristo, em seu sacrifício, venceu a morte e o pecado. Isso significa que, se Cristo vive em mim, e se eu o tenho verdadeiramente como meu Senhor de minha vida, tenho também assegurada a vitória sobre a morte e o pecado, desde que eu me empenhe nessa batalha. O pecado não pode prevalecer sobre mim, por si mesmo, embora eu ainda tenha entranhada em minha carne a natureza pecaminosa. Se eu viver os ensinamentos de Jesus e não apenas crer em seu sacrifício e suas palavras, amando, suportando e servindo, poderei então dizer, ao deixar esse mundo: Está consumado. Terei então concluído a carreira, vencido o bom combate e consumado enfim em minha vida a vitória conquistada por Cristo para todos nós, sobre a morte e o pecado. Esta obra requer um compromisso maior de cada indivíduo, de tomar a cada dia a sua cruz, ou seja, a carga de suas tribulações e provações, resultantes de sua própria natureza pecaminosa, e seguir adiante, com renúncia e abnegação até o dia de sua morte física. Neste dia, teremos finalmente crucificado com Cristo o nosso corpo de pecado e herdaremos uma natureza inteiramente nova, incorruptível e livre do pecado. Este evangelho é o verdadeiro evangelho de Jesus, que não faz apologia do sofrimento e da dor, como muitos criticam, mas sim da vida eterna e perfeita, plena de gozo e bem aventurança, no reino de Deus. Essa vida tem um preço, a maior parte do qual no entanto já foi paga por Jesus, quando entregou como supremo sacerdote, a sua própria vida humana, por todos nós. Este é o evangelho do caminho estreito, ao qual as doutrinas religiosas fecham os olhos, por preferirem pregar a seus fiéis um falso evangelho que acena com um caminho largo, uma vida de bênçãos abundantes e de plena felicidade ainda neste mundo, a qual pode ser facilmente conquistada pelos méritos de cada um. Pregam um Deus mecânico, totalmente abstrato, que reage unicamente aos meus atos e escolhas, para quem o meu futuro espiritual depende unicamente da natureza desses atos e escolhas, segundo a visão oriental da espiritualidade. Mas a palavra de Deus diz que não há nenhuma garantia de felicidade neste mundo, mas ao contrário, Jesus afirmou: "No mundo tereis tribulações, mas tende bom ânimo. Eu venci o mundo" (Jo 16:33) E o mesmo Jesus, mesmo quando prometeu nos recompensar "cem vezes mais" por nossas boas obras, foi claro ao dizer que mesmo essa recompensa não estaria livre de "perseguições" (Mc 10:30) Isto não significa que não devamos almejar viver uma vida materialmente próspera, saudável e plena de paz. Significa porém que não devemos fazer disso nossa meta maior de vida, mas aceitar naturalmente e suportar com boa vontade as tribulações, como algo inerente a este mundo, sobretudo na vida daqueles que verdadeiramente entregaram suas vidas a Deus. Autor: Washington Montez de Noronha monteno@uol.com.br |
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